Analma Queiroz Moura

Analma Queiroz Moura nasceu em 1976, na cidade de Cassilândia, Mato Grosso do Sul. Graduou-se em Biblioteconomia e Ciência da Informação pela Universidade Federal de São Carlos e especializou-se em Literatura Infantojuvenil e Literatura Contemporânea Mundial. Desde 2004, atua como bibliotecária no município de Indaiatuba, São Paulo, onde exerce a função de responsável técnica pelas bibliotecas municipais. Ao longo de sua trajetória, idealizou e coordenou importantes projetos de incentivo à leitura, como o Ônibus Biblioteca, Arte no Bosque, Mais Leitura, Jardim das Letras, entre outros.
Leitora voraz e escritora tímida, Analma ocupa a cadeira nº 3 da Academia de Letras de Indaiatuba, tendo como patronesse a escritora Carolina Maria de Jesus, figura que inspira sua atuação em prol da valorização da leitura e da cultura. Seu trabalho é marcado pelo compromisso com o acesso democrático ao conhecimento e pela promoção da literatura como ferramenta de transformação social.
Elogio ao Patrono

Carolina Maria de Jesus
À minha patrona, Carolina Maria de Jesus
Carolina Maria de Jesus me ensinou que a escrita pode ser resistência, abrigo e permanência.
Vinda de uma realidade marcada pela escassez, ela transformou a própria vida em palavra e, com coragem, revelou ao mundo aquilo que muitos preferiam não ver. Sua voz abriu caminhos — inclusive o meu.
Também encontrei nos livros uma forma de existir e de compreender o mundo. E, ao reconhecer Carolina como minha patrona, reconheço nela uma origem, uma força e uma direção.
Escrever, para mim, como para ela, é mais do que expressão: é um ato de dignidade.
Que sua voz siga ecoando em todas nós que escrevemos para não desaparecer.
Biografia: Carolina Maria de Jesus
Carolina Maria de Jesus nasceu em Sacramento, Minas Gerais. Escritora, poetisa e compositora, é uma das vozes mais importantes da literatura marginal no Brasil. Vinda de família pobre, estudou por apenas dois anos e mudou-se para São Paulo em busca de melhores condições. Morou na favela do Canindé, onde sobreviveu como catadora de papel e criou sozinha seus três filhos.
Mesmo na pobreza, escrevia sobre o cotidiano da favela, abordando temas como fome, racismo, desigualdade e esperança. Sua vida mudou em 1958, quando o jornalista Audálio Dantas descobriu seus cadernos e ajudou a publicar o livro Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada (1960). A obra teve enorme repercussão no Brasil e no exterior, sendo traduzida para mais de 10 idiomas. Apesar do sucesso inicial, Carolina enfrentou preconceito e foi esquecida pela mídia e pelas elites culturais. Faleceu em 13 de fevereiro de 1977, em São Paulo.
Seu legado é hoje celebrado como símbolo de resistência, representatividade negra e potência da literatura periférica e feminina.
Carolina é considerada uma das mais importantes escritoras do país, de tal modo que sua obra e vida permanecem objetos de diversos estudos, tanto no Brasil quanto no exterior.
Lista de obras
Discografia
"Quarto De Despejo", 1961, São Paulo, RCA Victor (BBL 1146)
Obra literária
Em vida
Quarto de Despejo: Diário de uma favelada (1960)
Casa de Alvenaria: Diário de uma ex-favelada (1961)
Pedaços da Fome (1963)
Provérbios (1965)
Publicações póstumas
Um Brasil para Brasileiros (1982)
Diário de Bitita. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. (Memórias).
Meu Estranho Diário. São Paulo: Xamã, 1996.
Antologia Pessoal. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 1996.
Casa de Alvenaria - Volume 1: Osasco. São Paulo: Companhia das Letras, 2021.
Casa de Alvenaria - Volume 2: Santana. São Paulo: Companhia das Letras, 2021.
Onde estaes felicidade? Dinha e Raffaella Fernandez (orgs.). São Paulo: Me Parió Revolução, 2014. (Contos)
Clíris: poemas recolhidos. Raffaella Fernandez e Ary Pimentel (orgs.). Editora Periferias, 2019. (Poesia)
O escravo. São Paulo: Companhia das Letras, 2023. (Romance).
Literatura e afrodescendência no Brasil: antologia crítica. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2011, vol. 1, Precursores. (Org. Eduardo de Assis Duarte)
