Éliton Meireles de Moura

Eliton Meireles de Moura é diretor do Núcleo Internacional de Pesquisa, Inovação e Criatividade (NuPIC) da Editora Amado Maker e Pesquisador sobre Cultura Maker no grupo Transformative Learning Technologies Lab (TLTL) no Teachers College, em Nova York. Pós-doutorando do Núcleo de Informática aplicada à Educação (Nied) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), desenvolvendo pesquisa nos temas de Educação Maker e Inteligência Artificial. Doutor em Educação pela Universidade de São Paulo (USP), bolsista FAPESP, com estágio de doutorado sanduíche na Universidade de Stanford, como bolsistas CAPES/PDSE e com o apoio do Lemann Center Visiting Scholar Program, atuou como Visiting Student Researcher na Graduate School of Education, para o ano acadêmico de 2017-18. Lemann Fellowship desde 2017. Licenciado em Matemática, possui ainda Mestrado em Educação na Linha de Pesquisa de Conhecimentos e Práticas Educacionais, ambas pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU).
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Elogio ao Patrono

Paulo Freire
Paulo Freire permanece entre aqueles nomes que já não pertencem apenas aos livros, às universidades ou à memória intelectual de um país. Ele pertence à consciência histórica de todos os que compreendem a educação como gesto de dignidade, de coragem e de humanização. Sua presença atravessa o tempo porque sua palavra não foi construída para ornamentar discursos, mas para tocar a realidade, interrogá-la e, sobretudo, transformá-la. Em sua escrita, há pensamento rigoroso, mas há também compaixão; há teoria, mas há, antes de tudo, um profundo compromisso com a vida humana, especialmente com aqueles a quem tantas vezes foi negado o direito de aprender, de falar e de existir com plenitude.
Talvez exatamente por isso sua obra ainda seja alvo de ataques tão duros e, muitas vezes, tão injustos. Não raro, tais ataques nascem menos da leitura séria de seus livros do que de caricaturas apressadas, de slogans ideológicos e de interpretações precárias que pouco ou nada dialogam com a densidade de seu pensamento. Há algo de profundamente triste nesse movimento: condena-se um autor sem conhecê-lo, combate-se uma invenção, e não uma obra real. Paulo Freire, que tanto defendeu o diálogo como fundamento da educação e da democracia, segue sendo atacado justamente por aqueles que recusam o exercício mais elementar do diálogo intelectual: ler com honestidade, compreender com rigor, discordar com responsabilidade.
Mas a grandeza de Paulo Freire não se diminui pelo ruído. Ao contrário, ela se evidencia ainda mais. Seu pensamento alcançou o mundo porque tocou questões essenciais da condição humana e da prática educativa. Seu nome ultrapassou fronteiras, idiomas e contextos nacionais, tornando-se referência incontornável nos debates acadêmicos e pedagógicos sobre alfabetização, consciência crítica, emancipação, justiça social e formação humana. Em um cenário internacional vasto e exigente, poucos intelectuais brasileiros conquistaram reconhecimento tão duradouro e tão respeitado. Freire não se tornou central por acaso: ele se tornou central porque ofereceu ao mundo uma maneira profundamente ética de compreender a educação.
Há, em sua obra, uma defesa inegociável da humanidade. Em tempos marcados pela pressa, pela intolerância e pelo empobrecimento da palavra pública, Paulo Freire continua a lembrar que educar não é adestrar, não é impor, não é silenciar. Educar é escutar, acolher, provocar a reflexão, reconhecer no outro a capacidade de pensar, criar, interpretar e refazer o mundo. Sua escrita nos convoca à responsabilidade diante do humano e nos recorda que toda prática educativa, no fundo, revela uma escolha moral: ou se contribui para ampliar a vida, ou se coopera com sua redução.
Por isso, Paulo Freire permanece. Permanece não apenas como um autor admirável, mas como uma consciência viva em meio às disputas do presente. Permanece porque seu legado resiste às distorções, às simplificações e às tentativas de apagamento. Permanece porque há ideias que, uma vez lançadas ao mundo com verdade e profundidade, já não podem ser facilmente sufocadas. E permanece, sobretudo, porque sua obra continua a amparar educadores, estudantes e leitores que ainda acreditam que a educação pode ser um ato de justiça, de lucidez e de esperança.
Falar de Paulo Freire, assim, é falar de uma grandeza intelectual que honra o Brasil diante do mundo e de uma grandeza humana que continua a nos convocar, com serenidade e firmeza, a defender a educação como espaço de encontro, de consciência e de transformação.
