Silvane Leite Poltronieri

Silvane Leite Poltronieri é membro fundadora da ALI - Academia de Letras de Indaiatuba e ocupa a cadeira de número 16, tendo como patrona a escritora Hilda Hilst.
Historiadora, pedagoga, pesquisadora e escritora, tem priorizado em suas obras, um reflexo da sua trajetória profissional, unindo a História e a Educação.
Entre pesquisas, livros, a sala de aula e a família, descobriu o desejo de compreender, registrar e compartilhar o que o tempo não deve apagar - a nossa breve existência, experiências e visão de mundo.
Para ela, escrever é acima de tudo, resistir ao esquecimento, registrar o invisível e dar voz ao efêmero.
Elogio ao Patrono

Hilda Hilst
Retrato de Hilda Hilst, feito pelo amigo e fotógrafo português Fernando Lemos, em 1954.
À minha patrona, Hilda Hilst
Elegância, inteligência, segurança e determinação. Estes sãos atributos que emergem ao mergulhar em sua obra – um universo ousado e transgressor que exerce sobre mim um fascínio imediato.
Escritora e poetisa paulista, Hilda Hilst equilibrava uma vida de discreta sedução com uma produção literária audaciosa. Embora tenha transitado pela alta sociedade e acumulado prêmios de prestígio, sua obra – inclusive a vertente erótica – enfrentou resistência do grande público. Nada disso, porem, a intimidou. Com um espirito livre e uma beleza magnética, Hilda provou que seu comportamento ativo incomodava menos do que a contundência de seu talento, mantendo-se sempre fiel à sua maneira peculiar de enxergar o mundo.
Deixo aqui minha profunda gratidão a mulheres como você, cuja coragem e transgressão abriram os caminhos que hoje percorro.
Biografia – Hilda Hilst
Hilda de Almeida Prado Hilst nasceu em Jaú, São Paulo, em 21 de abril de 1930. Filha de imigrantes portugueses, mudou-se ainda criança para Santos e, mais tarde, para a capital paulista. Formou-se em Direito pela Universidade de São Paulo (USP) em 1952, mas sua verdadeira vocação já havia despertado dois anos antes, com a publicação de seu livro de estreia, Presságio (1950).
A partir de 1954, Hilda decidiu dedicar-se exclusivamente à literatura. Sua trajetória, vasta e intensa, atravessou a poesia, a ficção e o teatro. Entre as décadas de 50 e 60, consolidou sua voz com obras como Balada de Alzira e Ode Fragmentária. No entanto, foi em 1965 que sua vida tomou um rumo decisivo: mudou-se para Campinas, para a icônica Casa do Sol. Construída em uma chácara para ser um refúgio de criação e um ponto de encontro para intelectuais, a residência tornou-se o cenário de sua produção mais madura.
A obra de Hilda é um mergulho profundo no existencialismo. Temas como o amor, a finitude, a solidão e uma espiritualidade mística e provocadora guiam seus versos e prosas. Fortemente influenciada pela convivência com a esquizofrenia do pai, sua escrita frequentemente explora as fronteiras da sanidade e do isolamento. Ao unir o sagrado e o profano, o erotismo e a teologia, ela desafiou as convenções de sua época, firmando-se como uma das vozes mais ousadas do século XX.
Apesar de ter recebido prêmios prestigiados como o Jabuti e o Anchieta, Hilda enfrentou décadas de tiragens modestas e um público restrito. Foi apenas a partir dos anos 2000 que sua obra ganhou a merecida visibilidade comercial, alcançando uma nova geração de leitores e estudiosos que redescobriram sua escrita, antes considerada "marginal" ou de difícil acesso.
Hilda Hilst faleceu em 4 de fevereiro de 2004, aos 73 anos. Deixou um legado inabalável de liberdade intelectual, provando que, para ela, a escrita não era apenas um ofício, mas uma forma absoluta de enxergar e enfrentar o mundo.
